Darina con alas

Presa

21 abril, 2010
Para el brontosaurio Cascarita

...y fui hecha presa
de un ritual obsceno parecido a la muerte.

Como una mujer que queda desnuda en medio de la calle
Como un libro que se queda abierto en una hoja manchada
Como aquel diario que dejan sin candado
o el cura a quien arrebatan todas sus confesiones.

Así fui hecha presa de un ritual obsceno, parecido a la muerte.
Confrontada a la luz gualda de tus ojos entreabiertos
Abrazando la frialdad del cieloraso.

Para mi un hospital es peor que un cementerio:
más ahora, que soy presa de un ritual obsceno, parecido a la muerte.
Extraño tu lengua viva lamiendo mi cimiento,
extraño tu voz de trueno que labró mis abismos...

Ahora me encuentro sin fuerzas, en la sala de espera:
presa de un ritual obsceno, parecido a la muerte...
Cansada de llenar papeles, pagarés, formularios.
Mi lenguaje ya es de piel, desvelo y actas blancas.

Este olor a cloroformo no se quita nunca,
los pasillos de los consultorios no me ocultan nada.
Aprendí a decifrar ya a las enfermeras:
sus pasos, sus gestos y hasta sus miradas.

Se cuando alguien tiene el alta, antes de anunciarla
y también soy agorera de las noticias malas:
soy presa de un ritual obseno...
parecido a la muerte.

No me digas que no me importa,
que aún no he aprendido:
tú tienes tiempo de aguardar la luz blanca en tu cama:
mientras yo me siento ya un fantasma más de los pasillos.

D.


8 comentarios:

j maria castanho dijo...

Terceiro Passo

A minha casa tem sete portas
Todas abertas de par em par,
Aquelas em que o Sol não entra
É porque estão viradas pró Luar.

No átrio, o relógio dá horas certas
Excepto quando são dez pràs duas
Que aí, escrito em círculos e rectas
Nas minhas teias e veias secretas
Apenas pulsa o sangue das tuas…

Ao ritmo binário deste solfejo
Cuja clave nasce quando te vejo
Ou se rodas a chave para entrar:
Na boca, o sorriso da rosa num beijo
E nas mãos, a SimpleS carícia do ficar.

j maria castanho dijo...

Primeiro Passo

Dá-me, da madrugada
Teu corpo aceso,
Que na alma pungente
A escalada urgente
Te socalca a chegada
Do desejo indefeso
Como em fito esguio
Viés sinuoso mas sem desvio,
Enleio riscado no rasto da estrada
Em vulcânicos eSSeS dessa serpente
Incêndio sibilado a silvar na terra de teu rio,
Catarata fervente vertida
Sobre as colinas do dorso e seios
Cadinho, labareda e delta da vida
Da qual sois meus fins, motivos e meios.

Xis de cruzar todos os Ocidentes
Ao desmaiado estertor
Que dizer é ouvir, gritar
É subir, descer, partir é chegar
Abraçar é voar nas correntes
Em combustão de lava na luz e fulgor
Entre sonhos incandescentes
A nadar no fogo do ar que nos respira
Nos retém e resvala, ata, solda, cala e vira
E tudo isso junto, enfim
Tenho para mim, que é apenas amor!

KAZVEL dijo...

Curioso es que te sientas cautiva
cuando regalas libertad con tus palabras,
el alma realmente se siente viva
cuando llega a tu oasis
hecho de noche, dia y calma.
No hay explicacion
a este vudu secreto,
solo una emocion,
un sentimiento eterno.
No es mi lengua recorriendo
tus cimientos,
es mi pensamiento
lo que anhelas,
son mis manos
explicandote un lo siento,
son mis labios
susurrandote un te quiero.
No es un hospital
lo que observas,
son retratos de soledad
que han dejado olvidado,
no es el ritmo de las enfermeras,
son fantasmas
que tu tristeza ha invocado.
Curioso que te sientas cautiva
cuando regalas libertad con tus palabras,
el alma realmente se siente viva
cuando llega a tu oasis
hecho de noche, dia y calma.

Darina Silverstone dijo...

María Castanho:

Muito obrigado!

Muchas gracias.

Voy a traducir los poemas...

Kazvel:

Es rarisimo eso... tercera persona en este mes que me compara con un oasis.

Muchas gracias por tu poesía!

D.

KAZVEL dijo...

O eres ese punto de salvacion en el desierto cotidiano o se ha extendido terriblemente el complejo de camello.
Pero si mas de dos personas coinciden en ello, seguramente no pueden estar equivocados(o es un complot).
Saludos

Darina Silverstone dijo...

K.

Soy tan sospechosista, que siempre voto por la teoría del compló...

D.

j maria castanho dijo...

Pero que tu es como un romance en sustenido... Escucha!
ROMANCE CLANDESTINO


O menino, com sua mão frágil
No papel desenhou a floresta,
Desenhou a cabana,
E num repente ágil
Colocou dentro desta
A mais linda cigana.


Depois pintou um príncipe
Chamado de João,
Que lhe bateu à porta
Pedindo com brandura
Um pouco de água e pão,
E que ao ver a formosura
Se lhe prostra em oração.


« Levanta-te e entra »,
Lhe disse a cigana linda
« Pois te esperava e certa
Estava de ainda chegares
Antes de a tarde finda. »


Brilharam doces seus olhares
Para logo seus brilhos se apagarem.
« Mas senhora!, como poderei
Depois sair sem morrer
De saudade? »


E após se beijarem,
Cigana e filho de rei,
Nela entraram sem querer
Saber da dura verdade.


João ao palácio não quis
Jamais voltar até que seu pai
A todos ordenou encontrá-lo.
A seus exércitos diz:
« Tragam-no vivo e dai
A morte a quem tentou raptá-lo. »


Os soldados cumpridores
Batem montes,
Batem vales e rios,
Perguntam aos pastores,
Perscrutam horizontes
E inquirem doutores.
Sofrem os tempos de calores,
Calores e frios.


E é quando um dia
À volta da floresta se juntam
Como soubessem só poderem estar além
Que um velho guia
Informa os generais do rei
Haver nela dois amantes que andam
Felizes a brincar ao “ pai-e-mãe “
Sem se importarem com a lei.


Então, o menino pára.
“ Desenhar, para quê?... “
Se aqueles que ele tanto amara
Por sabê-los como seu pai e sua mãe,
Tão iguais para quem os vê,
Têm que vir a sofrer também
A imposição da corte e seus porquês
“ Como se foram Pedro e Inês... “


Se... Mas não! Não!!
Ninguém lhe iria levar a melhor!
E num gesto rápido e exigente
Pega na tesoura do papel.
Com ela vai ao desenho saído de sua mão
Com tanto carinho e calor,
E num corte lacrimoso e tremente
Retira à floresta a cabana
Em que estão o príncipe e a cigana
E corre a escondê-la no sótão.


O rei e seus generais
Percorrem a floresta de lés a lés;
Atiçam os cães, erguem os punhais,
Cansam os cavalos, ferem os pés.
Mas de nenhum têm sinal!
Nasce-lhes aos poucos a desilusão.
Corre-lhes a vida mais que mal,
E abrem as bocas de espanto: “ Onde estão!!...
Onde estão?!... “


Depois o menino, suspirou e sorriu.
Feliz, contente com seu feito
Segredou a si, em inocente jeito:
« Pschiu!... Ninguém viu. Ninguém viu!... »

Juan dijo...

ah cabrón, ¿nuevos fans? wiuuuuuuu